Era uma tarde chuvosa num
shopping aqui de São Paulo e fui com minha mãe, como de costume, tomar um café, comprar umas revistas, coisas que sempre fazemos quando vamos até lá... era
outubro de 2005.
Naquela época havia neste
shopping um
petshop... eu,
bichólatra inveterada que sempre ia até essa loja pra ver os animais na
vitrine, reparei que nesta ocasião havia mais filhotes de gatos do que de cães, o que era muito raro. Lembro-me de ter visto um
maltes e um
lhasa juntos num
cercadinho, no outro 3 gatos persas, peludos e
sonolentos - verdadeiros gatinhos de "
Cheshire" - e no outro, absurdamente
serelepe, uma pequena e maluca siamesa. Fiquei imediatamente
alucinada por aquela coisa tão miúda que pulava sozinha de um lado para o outro no
cercadinho.
Não me conformei em só ficar olhando e perguntei pra vendedora se podia pega-la no colo, pedido que foi prontamente atendido... era tão pequena que fechei minhas mãos sobre ela e ainda sobrava espaço. Aproximei-a ao meu peito, ela olhou fixamente pra mim com seus incríveis olhos azuis e
transparentes e começou a dar
tapinhas no meu rosto. Aconcheguei-a mais ainda no peito e ela,
malandramente, me deu um
abracinho no pescoço como quem pede "me leva com você, por favor?".
Virei para minha mãe e me limitei a dizer: é minha.
Depois de todas as orientações de praxe, fui fazer o pagamento: R$ 150,00. Tão barata comparada aos persas preguiçosos, pensei... (bom, depois fui descobrir que logicamente tratava-se de uma siamesa-lata, pois os verdadeiros siameses são raros no Brasil e custam os olhos da caras).
Gata na caixa, fomos embora... deixei minha mãe em casa e ao chegar no apartamento meu
namorado na época, que estava ao telefone, quando viu aquela coisinha pulando pra sair da caixa desligou imediatamente e foi ao nosso encontro. E não é que a safada fez o mesmíssimo ritual "me leva pra casa" com ele?
Passada a euforia da alegria com a chegada da nova moradora -
exceto por
Carmen, a gata mais velha cuja crise de ciúme pela vinda da pequena a fez ficar 1 semana socada na
lavanderia - veio a questão: como ela vai se chamar? Daí, deu-se o seguinte diálogo:
- Bom, quando fui paga-la vi que era a gata mais barata do
petshop, então eu sugiro
"Billiger".
- Perfeito!
E foi assim... e é sempre assim que eu explico todas as vezes que me perguntam, indignados "mas por que ela se chama
Billiger!!????"
E.T: "Billiger", cuja pronúncia é "Bíliga", significa literalmente "mais barato" em alemão.
“O homem gostaria de ser peixe ou pássaro, a serpente gostaria de ter asas, o cão é um leão confuso...
Mas o gato quer ser somente gato,
e todo gato é um puro gato
desde o bigode ao rabo.”
- Pablo Neruda -